A Apple iniciou conversas exploratórias com a Intel e a Samsung para a fabricação dos processadores centrais de seus dispositivos em solo americano. A iniciativa, revelada nesta terça-feira (05/05), busca reduzir a dependência da empresa em relação à Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), sua parceira de longa data.

As negociações com ambos os fornecedores ainda estão em estágios preliminares e nenhum pedido formal foi realizado até o momento. Executivos da Apple já realizaram visitas a uma unidade fabril que a Samsung está construindo no Texas, enquanto diálogos iniciais foram estabelecidos com a Intel para avaliar seus serviços de fundição de semicondutores.

A busca por novos parceiros ocorre em um momento de pressão sobre a cadeia de suprimentos da gigante de Cupertino. O CEO da Apple mencionou recentemente que a empresa enfrenta restrições na oferta de chips, agravadas pela alta demanda por componentes voltados a data centers de Inteligência Artificial e pelo consumo elevado de Macs otimizados para processamento local de modelos de IA.

Atualmente, a Apple projeta seus processadores, conhecidos como sistemas em um chip (SoCs), mas delega a produção física quase inteiramente à TSMC. Embora a TSMC esteja expandindo suas operações em Phoenix, no Arizona — com previsão de entregar 100 milhões de chips para a Apple em 2026 —, esse volume representa apenas uma pequena parcela do total de dispositivos comercializados globalmente pela empresa. Em 2025, a Apple distribuiu 247,4 milhões de iPhones, ilustrando a necessidade de ampliar sua capacidade produtiva.

A estratégia de diversificação também visa mitigar riscos geopolíticos associados à dependência de fábricas em Taiwan. Contudo, analistas apontam que a transição não será simples, uma vez que Intel e Samsung ainda enfrentam desafios para igualar a escala e a consistência produtiva da TSMC nos nós de fabricação mais avançados.

Caso a parceria com a Intel avance, a medida também poderia fortalecer os laços entre a Apple e a atual administração governamental americana, que vê na fabricante de chips um ativo estratégico nacional. A empresa mantém cautela, avaliando cuidadosamente a viabilidade técnica e o custo de utilizar tecnologias de fabricação externas para garantir que não haja impacto no desempenho final de seus futuros produtos.