A Binance enfrenta novas acusações sobre a utilização de sua infraestrutura para facilitar transações financeiras ligadas ao regime iraniano. Relatórios internos da corretora, citados pelo Wall Street Journal e divulgados nesta sexta-feira (22/05), indicam que uma rede operada pelo empresário iraniano Babak Zanjani movimentou aproximadamente 850 milhões de dólares através da plataforma nos últimos dois anos.

O volume de transações, que teria persistido até dezembro de 2025, utilizou majoritariamente uma única conta de negociação mantida ativa por pelo menos 15 meses. Especialistas consultados pelo veículo estimam que cerca de 425 milhões de dólares desses fluxos tenham sido direcionados diretamente ao financiamento das forças militares do Irã. A rede de operações contaria com a participação de associados próximos a Zanjani, incluindo membros da família e executivos de suas empresas.

Além desse montante, investigações anteriores apontaram para outros 1,7 bilhão de dólares que teriam transitado pela Binance através de clientes chineses com destino a carteiras digitais associadas a grupos de apoio ao governo iraniano. A corretora, que já havia sido alvo de um acordo histórico em 2023 por violações de leis contra lavagem de dinheiro, reitera que possui tolerância zero para atividades ilícitas em seu sistema.

A postura da Binance em relação às denúncias tem sido de contestação. A empresa declarou que a grande maioria das transações mencionadas não possui relação com sua plataforma e afirma que, ao identificar contas suspeitas em revisões internas, procedeu com o encerramento dos acessos e o reporte às autoridades. A companhia mantém um processo judicial por difamação contra veículos de imprensa devido a reportagens anteriores sobre o tema.

O impacto dessas revelações é significativo, dado que a empresa se comprometeu a implementar medidas rigorosas de monitoramento e conformidade sob supervisão do governo dos EUA após o caso de 2023. Atualmente, a corretora é uma das principais apoiadoras de iniciativas globais no setor de criptoativos, mas o escrutínio sobre suas operações no Oriente Médio coloca à prova sua capacidade de manter a conformidade regulatória exigida pelos órgãos internacionais.

A crescente pressão sobre a plataforma ressalta os desafios contínuos das corretoras globais em detectar esquemas sofisticados de evasão de sanções. A investigação em curso, que inclui a análise de registros internos por autoridades, deve determinar a extensão da responsabilidade da corretora sobre os atos cometidos por seus usuários e o rigor da fiscalização aplicada após o encerramento da gestão do fundador Changpeng Zhao.