A Apple enfrenta sérios gargalos de produção para o lançamento do seu primeiro iPhone dobrável, previsto para chegar ao mercado no segundo semestre de 2026. De acordo com um levantamento do analista Ming-Chi Kuo, da TF Securities, divulgado nesta segunda-feira (06/07), a empresa conseguirá entregar entre 500 mil e 1 milhão de unidades durante o terceiro trimestre de 2026. O volume é considerado insuficiente para atender à demanda global esperada para o novo dispositivo premium da marca.

Gargalo produtivo e comparação com a linha tradicional

A produção inicial limitada do modelo, que vem sendo chamado nos bastidores de iPhone Ultra, decorre da complexidade técnica do design dobrável. Segundo os dados apurados, a escala de fabricação para o terceiro trimestre representa apenas uma pequena fração em comparação com os modelos convencionais. Para o mesmo período, a Apple planeja estocar entre 20 e 22 milhões de unidades dos modelos iPhone 18 Pro e iPhone 18 Pro Max.

Embora a previsão para o segundo semestre de 2026 aponte para uma produção total de 7 a 8 milhões de iPhones dobráveis, o início lento deve resultar em estoques esgotados imediatamente após a pré-venda. Estimativas indicam que os prazos de entrega podem ultrapassar seis semanas logo nos primeiros dias de comercialização, mantendo-se elevados até o final de dezembro.

Desafios técnicos e especificações do hardware

O atraso no ganho de escala está diretamente ligado a desafios de engenharia na montagem de componentes críticos. A lista de obstáculos inclui:

  • Montagem de placas de circuito impresso com tecnologia SMT em designs flexíveis.
  • Desenvolvimento de uma estrutura de vidro de dupla camada para reduzir o vinco central da tela.
  • Ajuste de precisão no mecanismo de dobradiça de metal líquido para garantir durabilidade.
  • Integração de baterias divididas em um chassi com espessura inferior a 5 milímetros quando aberto.

O iPhone Ultra deve apresentar uma tela externa de 5,5 polegadas e um display interno flexível de 7,8 polegadas, dimensões que o aproximam do formato do iPad mini, mas com uma proporção de tela mais quadrada quando desdobrado. O uso de materiais como titânio na moldura externa também aumenta o tempo necessário para a validação de cada unidade na linha de montagem.

O histórico de lançamentos complexos

Analistas comparam o cenário atual ao lançamento do iPhone X em 2017. Naquela época, a introdução da tela OLED sem bordas e do sistema Face ID causou dificuldades semelhantes na cadeia de suprimentos, forçando a Apple a adiar a entrega efetiva dos aparelhos para meses após o anúncio oficial. O padrão deve se repetir em 2026, com o anúncio ocorrendo em setembro junto à linha iPhone 18, mas com disponibilidade real restrita ao quarto trimestre.

No campo do software, pistas encontradas na versão beta do iOS 27 reforçam a proximidade do lançamento. O sistema operacional já contém variáveis de programação para estados de dobra e ângulos mecânicos, além de suporte nativo para múltiplas telas em um único dispositivo. Essas implementações sugerem que o ecossistema já está preparado para a nova interface multitarefa projetada para o modelo Ultra.

Impacto no mercado e preços estimados

Com preços previstos entre US$ 2.300 e US$ 2.500, o iPhone dobrável será o smartphone mais caro da história da Apple. A combinação de alta demanda e estoque extremamente baixo deve alimentar um mercado de revenda agressivo. Projeções de canais de venda indicam que o dispositivo pode atingir ágios de até 100% em plataformas de terceiros durante as primeiras semanas após o lançamento.

Para garantir a viabilidade do projeto a longo prazo, a Apple estaria negociando acordos de fornecimento de memória com fabricantes chinesas para reduzir custos de componentes. A estratégia visa consolidar o iPhone Ultra como um produto de nicho em 2026, servindo como base para uma expansão de volume a partir de 2027, quando a tecnologia de telas flexíveis deve atingir maior maturidade fabril.