A Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, prepara uma nova rodada de demissões em massa que deve atingir cerca de 8 mil trabalhadores a partir da próxima quarta-feira (20/05). O corte representa aproximadamente 10% da força de trabalho global da companhia, consolidando um movimento de reestruturação focado no redirecionamento de capital para a inteligência artificial.
Foco na inteligência artificial e eficiência operacional
A decisão ocorre mesmo em um período de alta lucratividade para a empresa. No primeiro trimestre de 2026, a Meta registrou um faturamento de US$ 56,31 bilhões, um salto de 33% que marca o ritmo de expansão mais acelerado da organização desde 2021. De acordo com comunicados internos, os cortes visam compensar gastos massivos com infraestrutura de IA, estimados em até US$ 145 bilhões para o ano de 2026.
O ambiente interno é descrito por funcionários como sombrio, com relatos de insegurança e descontentamento entre as equipes. A insatisfação é tão expressiva que parte dos colaboradores tem manifestado abertamente o desejo de figurar na lista de demissões. O motivo é o pacote de rescisão oferecido pela big tech, que inclui 16 semanas de indenização e a manutenção de 18 meses de plano de saúde.
Contexto das reestruturações no setor
Desde 2022, a companhia já eliminou mais de 33 mil empregos em diversas rodadas de cortes. O movimento atual reflete uma tendência observada no Vale do Silício, onde empresas buscam operar com estruturas mais enxutas e maior dependência de sistemas automatizados. Dados da plataforma Layoffs.fyi indicam que o setor tecnológico já acumula 135 mil demissões em 2026.
A Meta também tem realizado alterações estruturais em suas operações, incluindo a substituição de funções de moderação de conteúdo por tecnologias baseadas em IA. Segundo a diretoria da empresa, o objetivo é aumentar a eficiência operacional e reduzir camadas de gerenciamento, permitindo que a organização priorize o desenvolvimento de sistemas de IA generativa para competir com players como OpenAI, Google e Anthropic.
Para o mercado, a movimentação da Meta sinaliza que, mesmo com resultados financeiros positivos, a priorização da inteligência artificial deve continuar ditando a gestão de pessoal das gigantes de tecnologia no curto prazo. O efeito prático para os profissionais do setor é uma atmosfera de incerteza, onde a busca por produtividade via automação se sobrepõe à manutenção de grandes quadros de colaboradores.



