A Meta confirmou o desenvolvimento de um pingente com inteligência artificial, que entrará em testes no próximo ano. O projeto consta em um memorando de Alex Himel, vice-presidente de dispositivos, revelando a criação de uma assinatura para empresas. A estratégia ganha tração após a divisão Reality Labs registrar perdas de US$ 4,03 bilhões no primeiro trimestre de 2026.

O aparelho resulta da aquisição da Limitless, startup comprada pela companhia no final de 2025. Antes da negociação, a empresa comercializava um clipe para gravar, transcrever e resumir conversas. O sistema gera arquivos em texto, permitindo o resgate de informações de reuniões sem digitação. A tecnologia compõe agora a construção de uma infraestrutura de dados capaz de analisar o padrão de fala e as demandas do usuário, otimizando o fluxo de tarefas e criando um arquivo de atividades.

O executivo da startup havia captado US$ 33 milhões com investidores, incluindo Sam Altman e a corporação Andreessen Horowitz, antes do contrato de venda. Hoje, a base de clientes conta com suporte, mas a engenharia trabalha na finalização de um hardware proprietário sob a marca de Mark Zuckerberg.

Aposta corporativa contra o histórico de fracassos

Além do pingente, a fabricante prepara o crescimento de seu catálogo de óculos. O documento detalha o lançamento de até quatro modelos nos meses que se aproximam. A corporação planeja lançar unidades sem colaborações de marcas de luxo, apostando em formatos da casa.

As iniciativas delineadas no vazamento de informações incluem pontos específicos:

  • Testes de um modelo de realidade mista, de codinome “Modelo”, com estreia para o mês de junho.
  • Desenvolvimento de versões de atualização chamadas de “Luna” e “RBM2 Refresh”.
  • Criação do serviço “Wearables for Work”, uma assinatura para as companhias que utilizam os equipamentos nas operações de rotina.
  • Integração do “Hatch”, um agente de software em homologação que exigirá pagamento de taxa mensal.

A tentativa de emplacar um hardware de áudio e voz ocorre após o fechamento de projetos de startups do Vale do Silício. Entre os anos de 2024 e 2025, dispositivos como o AI Pin da Humane e o colar Friend amargaram queda de vendas, atestando a barreira imposta pelos consumidores para adquirir eletrônicos extras de uso diário.

A Meta entra na disputa com um braço de hardware em operação de larga escala. O conglomerado vendeu cerca de 7 milhões de óculos em 2025, dominando 82% de sua fatia de setor. O colar de pescoço atuará como item de apoio em uma plataforma em andamento, sem exigir a criação de um público do zero. Essa capilaridade permite a oferta de transcrição sem a necessidade de convencimento massivo, visto que a base de clientes já utiliza o ecossistema existente de envio de informações integradas ao WhatsApp e Instagram.

Para cobrir os gastos de pesquisa, os executivos estipularam metas financeiras rigorosas. O plano aponta o objetivo de comercializar 10 milhões de equipamentos no segundo semestre de 2026. A gestão pretende atrair organizações da Fortune 500 para inaugurar o plano de software, buscando compensar a entrada de US$ 402 milhões da divisão de produtos físicos entre os meses de janeiro e março.

A mudança altera a forma de monetizar a inteligência artificial nos objetos palpáveis de escritório. Ao transformar as ferramentas de gravação em captores de dados nas reuniões, a fabricante tenta construir um formato de utilidade constante. A Meta transfere o desafio da adoção em massa para o caixa de empresas do mundo inteiro, contornando a dependência do setor de varejo.