A OpenAI rebateu as acusações de Elon Musk nesta semana durante a segunda rodada de depoimentos do julgamento federal em Oakland, na Califórnia. A organização apresentou evidências de que o bilionário tentou recrutar Sam Altman para liderar um laboratório de inteligência artificial dentro da Tesla em 2017. O processo judicial, que mobiliza o setor tecnológico em maio de 2026, analisa se a OpenAI desviou-se de sua missão original sem fins lucrativos.

Depoimento de Shivon Zilis e a proposta da Tesla

Shivon Zilis, ex-membro do conselho da OpenAI e executiva de longa data nas empresas de Musk, serviu como testemunha central nos procedimentos recentes. Ela revelou que Musk considerou oferecer a Altman um assento no conselho de administração da Tesla, além de um cargo executivo. E-mails exibidos ao júri indicam que o plano era criar um laboratório de IA de classe mundial dentro da montadora, absorvendo os talentos da então iniciante OpenAI.

As mensagens mostram que Zilis atuou como intermediária durante as discussões sobre a estrutura corporativa da empresa entre 2017 e 2018. Em um dos diálogos, Musk instruiu Zilis a permanecer próxima e amigável aos fundadores para garantir que as informações continuassem fluindo, mesmo enquanto ele planejava contratar três ou quatro funcionários-chave da OpenAI para suas próprias operações. Essa estratégia de bastidores é utilizada pela defesa da OpenAI para argumentar que Musk agia por interesses comerciais próprios, e não apenas por filantropia.

A doação de 38 milhões e o arrependimento de Musk

Durante seu tempo no banco das testemunhas, Elon Musk declarou ter sido um tolo ao doar 38 milhões de dólares para a organização nos seus primeiros anos. Ele acusa Sam Altman e Greg Brockman de o enganarem para financiar o que se tornaria uma entidade lucrativa avaliada em 800 bilhões de dólares. Musk busca uma indenização que pode chegar a 150 bilhões de dólares, além de uma ordem judicial para que a OpenAI retorne ao status de organização estritamente sem fins lucrativos.

A defesa da OpenAI, liderada pelo advogado William Savitt, contestou essa narrativa ao apresentar documentos que mostram que o próprio Musk propôs modelos lucrativos no passado. Segundo a defesa, o bilionário só se opôs à transição quando percebeu que não teria o controle majoritário da nova estrutura. Greg Brockman, presidente da OpenAI, também testemunhou que Musk desejava o controle total para, em parte, utilizar os lucros da IA na fundação de uma colônia em Marte, um projeto estimado em 800 bilhões de dólares.

Implicações para o setor e governança de IA

O caso Musk v. Altman é monitorado de perto por especialistas em governança corporativa e investidores, pois o veredito pode forçar uma reestruturação profunda na OpenAI e impactar seu plano de abertura de capital (IPO) previsto para o final de 2026. A disputa também expõe a fragilidade das estruturas híbridas que tentam unir missões humanitárias com necessidades massivas de capital para computação.

As evidências apresentadas sugerem os seguintes pontos de conflito:

  • A ausência de um contrato formal de doação que estipulasse o uso perpétuo como organização sem fins lucrativos.
  • O papel da Microsoft, cujos investimentos de 10 bilhões de dólares são descritos por Musk como uma captura da tecnologia original.
  • A alegada falta de transparência da diretoria durante a crise de governança ocorrida no final de 2023.

Para os profissionais de tecnologia, o julgamento define um precedente sobre como ativos intelectuais criados sob o manto de caridade podem ou não ser transferidos para veículos comerciais. O encerramento desta fase de depoimentos abre caminho para o depoimento de Satya Nadella, CEO da Microsoft, agendado para a próxima segunda-feira. A decisão final da juíza Yvonne Gonzalez Rogers determinará se a OpenAI deverá desfazer sua conversão lucrativa ou se Musk falhou em provar a quebra de confiança fiduciária.